Che Guevara – O Argentino

Sou fã de carteirinha. Por que? Não sei. A revolução cubana está sempre entre os meus assuntos, entre dicussões inflamadas dos meus amigos neoliberais com aqueles mais esquerdistas. Já fiz a minha confissão de esquerdista-social há muito e não preciso mais anunciar isso a todos os ventos. De verdade, o que corre em minhas veias é um pouco do sangue latino de martí misturado com um aspecto bonachão sancho pança! (ficou muito precisa a descrição em especial pela parte da pança).

Eu mesma andava com saudades deste blog. De andar por aqui e falar das coisas boas que ando fazendo. Do Blog da Jump talvez eu seja a mais tranquilona, caseira e aventureira! É uma mistura entre estar por aí e por aqui. Entre olhar para dentro e para fora. Estou com tanta saudade e há tantos assuntos a serem atualizados que quase perdi o foco deste post… mas vamos lá.

A coçadinha na barba de Fidel foi muito bem representada e a rotina na Sierra Maestra, também bastante emocionantes. Análises mais profundas de uma jornalista americana (achei isso um pouco suspeito – he he he). Com uma boa dose de paciência, 2 ou 3 sacos de pipoca porque o filme é bastante longo e o coração disposto a compreender melhor a revolução cubana, o último dos socialistas.

Não esperem o romantismo de “Diários de motocicleta”, Che está bem mais barbudo e muito menos saudável. Aliás aquela tosse deve tê-lo matado (ou pela falta de ar ou por chamar a atenção do inimigo). No final das contas, ou Cuba virava Cuba ou viraria a Nicarágua – assim proclamava um dos Buena Vista Social Club. Estou certa de que não foi Navarro, ele estava ocupado com o Rum e com os galanteios às japonesas no Museo del Ron (já contei essa estória aqui no blog – procure por Buena Vista Social Club)

Sobre Cuba e Algumas Estórias

Muita gente anda me perguntando como é Cuba… Minha resposta é um pouco modesta ja que em alguns dias não se pode definir um país ou uma cultura. Eu tenho pequenos retalhos de estórias interessantes, percepções (que podem não corresponder à realidade) que eu acho que aos poucos posso compartilhar à medida que as pessoas por aqui manifestarem interesse em saber um pouco sobre Cuba, a revolução e otras cositas mas…

Posso adiantar que exposições de artes plásticas estão espalhadas por toda parte, em Cuba os grande artistas não estào escondidos atrás de outras profissões porque os artistas tem igual garantia de sobrevivência (alimentação, saúde e educação). Músicos para toda parte e os instrumentos de sopro são muitos e muito bem tocados em razão da Salsa Cubana e Jazz tradicionais cubanos.

Quanto aos livros… A maior parte dos títulos são relacionados a política (em especial sobre a revolução cubana, relação com os Estados Unidos). Parece haver uma grande quantidade de livros usados e antigos porque tem muitas feiras de livros usados, sebos e livrarias que vendem livros antigos. Soube que gráficas e editoras tem dificuldades com infraestrutura.

Vendem-se muitas fotos do Korda (lembram do livro que indiquei aqui?), as fotos dele são vendidas como postais, posters, marcadores de livro… Os cartazes dos cinemas são vendáveis (acabei comprando uns) e o cinema local é de extrema qualidade provavelmente em razão da importante escola de cinema que há por lá.

Se você tem interesse em saber mais coisas não deixe de perguntar aqui…

Jazz Cubano – La Zorra y el Cuervo

O hotel é extremamente bem localizado… Eu não quero falar o nome porque estou com vergonha. Tenho vergonha até de andar na rua por aqui… Mas vamos la para o Jazz. Bem aqui ao lado tem um Jazz Club, essas casas são muito famosas em Havana. São meio escondidinhas, subterrâneas e cheias de charme, com boa música claro.

Andando pela cidade é possível ver muitas pessoas carregando instrumentos, praticando na praça, etc. Isso quer dizer que tudo em Havana é muito musical e que é preciso dar vasão a tudo isso. Há um tipo de musica aqui que é uma espécie de afrojazz Cubano que é uma delícia. Fomos conferir uma banda que mistura salsa, rumba e jazz… A banda se chama Diakara e tem um japonês cubano fazendo a percussão – nunca vi nada mais pitoresco!

Servem drinks cubanos como Daiquiri, Cuba Libre e Mojito além de sanduíches muito bem elaborados. Mas o que a casa tem de melhor é a localização (ali na 23 perto da Coppelia) e a música. Aliás, não saia de lá sem um disco de Jazz Cubano, vale a pena!

La zorra y el cuervo Jazz Club
23 Havana Centro
La Habana – Cuba

El Monguito – Restaurante Familiar em Havana

Achamos, já quase na frente do hotel um restaurante chamado El Monguito. Tudo ali parece clandestino, a porta suspeita cheia de fios, trancada com um videofone, tudo carencendo de manutenção… Uma senhora gorda (daquelas tias salgadeiras que todo mundo tem) atendeu a porta e nos informou que o restaurante estava aberto.

Era uma casa de família, tradicional, com quadros na parede bem pitorescos, cadeiras de plástico e jogos americanos (ops cubanos!) nas mesas também de plástico. O cardápio é simples e a comida é feita em casa (literalmente).

Havia tempo que não me encantava com um File de Peixe grelhado, estava muito bem temperado e a qualidade do peixe era indiscutível. Dispense os acompanhamentos… afinal, batata doce frita, gallo pinto (baião de dois) e repolho vão fazer você esquecer o sabor espetacular do peixe. Os pratos são extremamente bem servidos e o restaurante (cantina, sala da casa da avó, etc.) fecha as quintas-feiras.

Rua 23 Havana Centro
Perto da Sorveteria Coppelia
Havana – Cuba

Feira Internacional do Livro – La Habana

Cuba está homenajeando Chile na feira internacional do livro em Havana. A feira acontece em uma fortaleza e bem perto do que era o escritório e comando geral do Che Guevara. Uma fortaleza gigante que se transformou em um pavilhão de exposições com milhares, milhares, milhares de pessoas passeando pela feira.

O que me chamou a atenção foi que não aceitam pesos convertibles para as entradas isso quer dizer que privilegiam a entrada de cubanos (é um trabalho danado para entrar lá se você não tem pesos cubanos – MN). Também me chamou a atenção  a quantidade de gente e o tamanho da feira…

Muitas pessoas comprando livros, especialmente nos lugares que aceitam MN. Estranho é que não se pode pagar as entradas em Cucs, mas dentro da feira quase tudo está em cuc. Cada cuc compra 24 pesos cubanos e as entradas custavam 2 pesos Cubanos.

A presença da literatura de diversos países enriquece a feira, alem de haver entrevistas com os escritores, palestras, seminários, etc.. A TV local cobre a feira com palestras, entrevistas e mini-cursos que complementam a feira presencial.

Feira Internacional do Livro – Havana
Acontece todos os anos em fevereiro/março

Museo del Ron – Buena Vista Social Club

De verdade que vinha sonhando com Cuba para assistir a algum show de jazz, um jazz típico cubano ou, quem sabe, com muita sorte, um show do Silvio Rodriguez… O que aconteceu foi quase mágico… Nos indicou o Museo Del Ron uma amiga cubana, porque aí haveria um “concierto” do que ainda resta do grupo dos anos 50, dá para acreditar?

Quando chegamos, fomos recebidos com um coquetel para um jantar em uma casa de, no máximo, 80 pessoas. Todas ali envolta de um jardim a céu a aberto e o Buena Vista cantando entre nós. Navarro, um velhinho bem saidinho por sinal, cantava entre doses de rum e charutos… por vezes me emocionei.  Depois do show e de mil piscadelas do velhinho saliente ficamos conversando Eu, ele (Navarro) e o filho (gatíssimo) dele por uns minutos e eu tive que interromper o papo que já estava chegando na parte de casamento, filhos e tudo mais… pode acreditar! 

Na casa que é um museu durante o dia, tem uma agenda de espetáculos impecável, depois de uns dias em Havana vi vários dos convidados especiais na televisão… Resumindo, noite espetacular, comida boa, música maravilhosa!

Museo Del Ron
Habana Vieja
Cuba

Cuba – Sorveteria Coppelia

Imaginemos uma fila de verdade, daquelas de emprego no SLU ou qualquer coisa do tipo. Há uma sorveteria Coppelia em frente ao hotel onde estou hospedada. Estranho é que a fila termina na porta da sorveteria. Achei curioso, melhor perguntar.

A fila é grande porque os cubanos só podem comprar sorvetes ali, porque vendem em moeda local (peso cubano mesmo – o chamado MN). Eu, turista, tinha o direito vil de comprar sorvete com a moeda CUC (PCC – Peso Cubano Convertible – nome curioso não?) e não havia nenhuma fila. Achei que o sorvete pudesse me fazer mal porque senti o estômago embrulhar enquanto tomava o sorvete apreciando aquela cena da fila circulando os quarteirões.

Envergonhada, entrei com os meus CUCs, afinal eu precisava saber o sabor daquele espetáculo. Comprei uma parte da minha ideologia de igualdade e todos os instantes daquele dia foram assim. 

No final das contas, o sorvete é bem gostoso e não é tão barato para turistas (afinal, alguém tem que pagar a conta). Ta bem, ta bem, é mais pitoresco que gostoso…

 

Sorveteria Coppelia
Calle 23  – La Habana
Cuba